Na linha da frente de um terreno junto ao ribeiro do Freixo, em Vila do Conde, desde as seis e meia da manhã que os homens fazem entrar as sacholas na terra pondo as batatas a descoberto que as mulheres, logo atrás, apanham e colocam em baldes.

Entre tiradas, sorrisos e gargalhadas endireitam as costas para, logo de seguida, se curvarem na apanha da batata; são três mil quilos que irão contribuir para alimentar os utentes do Centro Social e Comunitário de Nossa Senhora de Fátima.

Responsável pela instituição, José Diegas afirma que esta foi uma das medidas tomadas para ultrapassar as dificuldades do centro social que funciona desde 2016 e, apesar dos pedidos, sem acordos com a Segurança Social.

Emigrante reformado no Luxemburgo, Carmi Sousa regressou a Portugal e na aldeia de Vila do Conde, concelho de Vila Pouca de Aguiar, tem ocupado os seus dias com esta horta social com batata e cebola, e com fins solidários.

Desde o 1 de maio, dia em que as pessoas se juntaram em dois terrenos da aldeia de Vila do Conde para com a ajuda do cavalo com arado plantarem a batata de semente adquirida na aldeia de Cabanes até a este dia da apanha da batata, 17 de agosto, Carmi com a ajuda da Junta foi olhando pelas batatas regadas à sexta-feira, semanalmente.

Agora, muitas pessoas da aldeia, que ali residem ou que estão emigradas e se juntam nesta altura do ano, arrancam as batatas e participam nesta iniciativa de convívio social. Terminada a apanha, há ainda um grupo de homens que se forma ali à volta da nora e que ruma ao outro terreno para começarem a carregar os 114 sacos de batatas em dois tratores que passa num corredor criado entre um campo de milho.

Ao final da manhã, as pessoas voltam a encontrar-se agora já no Centro Social e Comunitário de Nossa Senhora de Fátima para participarem num almoço de convívio que junta pessoas de todas as idades.